Influência do gradiente de inundação na dispersão de sementes por peixes frugívoros em áreas de várzea, Amazônia Central
Autor: Gilvan da Silva Costa (Currículo Lattes)
Resumo
Nas áreas alagáveis amazônicas, os regimes de cheias e secas criam gradientes de inundação que influenciam a ocorrência e distribuição da floresta alagada e desencadeiam ritmos de crescimento e ciclos reprodutivos das espécies de árvores. A floração e maturação dos frutos ocorre em sincronia com o aumento no nível da água dos rios. Essa é uma importante adaptação, que possibilita a dispersão das sementes pela água (hidrocoria) e por peixes frugívoros (ictiocoria). A ictiocoria em florestas alagáveis da Amazônia tem sido reconhecida como um importante mecanismo de dispersão para muitas espécies arbóreas, e tem o potencial de influenciar a composição de espécies e a estrutura desses ecossistemas, pois ao consumirem sementes viáveis os peixes podem transporta-las para locais adequados à sua germinação e estabelecimento. Esta Tese investiga alguns fatores que podem afetar a dispersão de sementes por peixes, incluindo a viabilidade e velocidade de germinação das sementes após passagem pelo trato digestório dos peixes e a relação entre o tamanho dos peixes e o tamanho das sementes encontradas nos seus tratos digestórios; a estrutura e vulnerabilidade (modularidade, aninhamento, especialização e robustez) da rede de dispersão de sementes; e a influência do gradiente de inundação (várzea baixa e várzea alta) na dispersão de sementes pelos peixes e na estrutura da rede de dispersão. Realizamos coletas de peixes e plantas em campo e complementamos essas informações com dados obtidos da literatura científica. Encontramos que o comprimento e o peso dos peixes frugívoros estavam positivamente relacionados ao tamanho das sementes no trato digestório, embora a passagem das sementes pelos tratos digestórios não tenha aumentado a velocidade de germinação. Observamos uma estrutura de rede modular e aninhada, conferindo relativa robustez a rede de dispersão, e que o comprimento e peso dos peixes e o tamanho das sementes não mostrou diferenças significativas em relação à especialização. Ainda, encontramos que a riqueza de frutos e sementes consumidas pelos peixes foi maior nas florestas de várzea baixa, quando consideradas somente espécies de árvores restritas a cada gradiente, e que a rede apresentou estrutura aninhamento. Esses resultados aumentam a compreensão geral de como as interações entre peixes e plantas podem ser influenciadas por impactos antropogênicos nesses ecossistemas e auxiliam na elaboração de medidas de conservação para peixes frugívoros e florestas alagáveis tropicais.