Tese - Luísa Nunes Lermen

Ambiente e coloração : padrões ecológicos e evolutivos da variação de coloração dorsal em anuros neotropicais

Autor: Luísa Nunes Lermen (Currículo Lattes)

Resumo

A coloração nos vertebrados é um traço multifuncional moldado por fatores ambientais, fisiológicos e evolutivos, desempenhando papéis essenciais na comunicação, camuflagem e termorregulação. Nos anuros, esse traço apresenta grande diversidade e plasticidade adaptativa, refletindo tanto respostas ecológicas quanto processos de convergência evolutiva em função de pressões seletivas bióticas e abióticas. Nesta tese, investigam-se como variáveis estruturais e climáticas, como tipo de habitat, temperatura e precipitação, moldam os padrões de coloração dorsal em diferentes escalas biológicas, desde populações até comunidades e linhagens evolutivas. Para isso, foram utilizados registros fotográficos in situ e dados ambientais obtidos em campo e em bancos de dados online, combinados a análises estatísticas e comparações filogenéticas. O primeiro capítulo avaliou a relação entre coloração e ambiente em populações de Dendropsophus minutus de áreas naturais de campo e floresta, observando que o brilho aumenta com a temperatura e que a saturação é modulada pela interação entre habitat e precipitação, indicando um papel termorregulatório e possivelmente reprodutivo. No segundo capítulo foi investigada a influência conjunta de variáveis ambientais sobre a coloração, mostrando que a coloração dorsal de Dendropsophus minutus é influenciada de forma distinta por temperatura, precipitação e tipo de habitat, com brilho e saturação respondendo de maneiras diferentes a esses gradientes ambientais. O terceiro capítulo analisou diferenças entre comunidades de anuros de ambientes florestais e campestres, revelando maior diversidade de cores em áreas abertas, possivelmente associada à pressão de predação e condições ambientais específicas do ambiente florestal. Por fim, o quarto capítulo explorou os padrões evolutivos da coloração em espécies do gênero Rhinella, demonstrando que a coloração dorsal no gênero é moldada por interações complexas entre temperatura e tipo de habitat, possivelmente relacionada à disponibilidade de carotenoides e pressões evolutivas. Em conjunto, os resultados reforçam que a coloração dos anuros é sensível às mudanças ambientais e que fatores estruturais e climáticos exercem papel central na sua modulação e evolução, reforçando a importância de integrar a variação fenotípica às estratégias de conservação de espécies frente às rápidas transformações dos ecossistemas naturais.

TEXTO COMPLETO

Palavras-chave: BiologiaAnfíbiosColoraçãoBiodiversidadeHabitatRegião neotropicalVariáveis ambientaisAnfíbios anurosDendropsophus minutusRhinella