Análise de ocorrência de contaminantes emergentes da Lagoa Mirim e efeitos do inseticida imidacloprido em espécies do zooplâncton
Autor: Karen Pinheiro Lackman (Currículo Lattes)
Resumo
Os contaminantes de preocupação emergente representam uma ameaça crescente aos ecossistemas aquáticos, especialmente em regiões influenciadas por atividades agrícolas e urbanas. Esta dissertação teve como objetivo analisar a ocorrência de contaminantes ambientais em águas superficiais da bacia hidrográfica da Lagoa Mirim, sul do Brasil, e avaliar, em laboratório, os efeitos do inseticida imidacloprido em espécies zooplanctônicas. No primeiro capítulo, foram analisadas amostras de água coletadas em seis pontos da Lagoa Mirim, em quatro períodos associados ao ciclo do arroz irrigado, além da realização de uma revisão sistemática da literatura sobre qualidade da água e contaminantes na região entre 2001 e 2025. Dos 26 compostos investigados, 22 foram detectados, incluindo herbicidas, inseticidas, fungicidas, metabólitos de herbicidas, cafeína e um antibiótico. Tebuconazol, 2,4- D, cafeína, tiametoxam e imidacloprido apresentaram as maiores concentrações. A presença de compostos também na entressafra indica a persistência ou múltiplas fontes de entrada desses contaminantes, enquanto a revisão evidenciou escassez de estudos sobre contaminantes emergentes na bacia. No segundo capítulo, o imidacloprido (um dos compostos detectados na Lagoa Mirim) foi avaliado em testes agudos, crônicos e de alimentação com Daphnia magna, D. similis, Ceriodaphnia dubia e C. silvestrii (espécie nativa). Os resultados demonstraram diferenças interespecíficas de sensibilidade, com maior toxicidade aguda para C. silvestrii, seguida por C. dubia, D. similis e D. magna. A exposição crônica reduziu a reprodução de D. similis e D. magna a partir de 0,025 mg/L, e C. silvestrii apresentou redução da taxa de ingestão em 0,1 mg/L. De forma integrada, os resultados demonstram a ocorrência ampla de contaminantes na Lagoa Mirim e indicam que o imidacloprido pode causar efeitos letais e subletais em organismos zooplanctônicos, reforçando a importância do monitoramento ambiental e da inclusão de espécies nativas em avaliações de risco ecológico.